SILVANA LIMA FALA SOBRE AS DIFICULDADES DO SURF FEMININO

“Eu não sou modelinho, não sou bonitinha. Eu sou surfista, surfista profissional” desabafa Silvana Lima.

O surf feminino, ao mesmo tempo em que vem crescendo, também passa por muitas dificuldades em relação à falta de patrocínios e confiança – decorrentes do machismo que está incrustado, não só no surf, mas em qualquer outro esporte. Um exemplo disso é a cearense Silvana Lima, a melhor surfista do Brasil e a única brasileira que nos representou no WCT em 2015. Com um surf moderno, veloz e forte, a brasileira já foi duas vezes vice-campeã mundial e é uma peça importante que compõe a Brazilian Storm.

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Infelizmente, os últimos anos foram muito difíceis para a surfista, que após algumas lesões surfou as etapas da elite mundial com o bico da prancha vazio. Porém, essa é a realidade de muitas surfistas brasileiras. Com a dificuldade de patrocínio e a pressão por um físico estereotipado – loira, bronzeada, malhada e etc -, algumas atletas, que quebram, deixam suas carreiras para virarem modelos ou fazerem qualquer outra coisa – já que, no esporte, a grande maioria não tem oportunidade de futuro.
O fato de Silvana estar sempre evoluindo – por esforço próprio – e possuir um surf progressivo, parece não interessar algumas marcas. Segundo entrevista recente, ela já ouviu diversos “nãos” durante a sua carreira e, entre os motivos, estava o fato de eles não a considerarem bonita o suficiente.

“As marcas de surfwear feminino, elas querem modelos e surfistas ao mesmo tempo. Então, quem não é modelinho, acaba não tendo patrocínio, como é o meu caso – acaba ficando de fora, é descartável”, desabafa. “Os homens não têm esse problema”.

“Eu poderia colocar um silicone, pintar o cabelo, colocar uma lente azul. Mas isso iria ficar super estranho, ninguém ia me reconhecer, não seria o meu perfil”, conta a atleta.
Para poder competir e seguir o seu sonho de representar o Brasil na elite mundial, a surfista precisou abdicar de muitas coisas, como de sua casa, carro, e até montou um canil de bulldogs para obter algum lucro. Sua viagem para a etapa da Nova Zelândia foi paga com o dinheiro ganho na venda de filhotes.

Silvana é guerreira, símbolo de persistência. Nunca teve uma vida fácil, vinda de uma família de baixa renda no interior do Ceará. O surf salvou sua vida, mas a batalha continua. Assim como a batalha de muitas outras surfistas e atletas brasileiras. O surf no Brasil já é difícil e, sendo mulher, pode se tornar uma tarefa mais difícil ainda.

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